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Seria
impossível contar a história do Botafogo, sem que o seu nome seja mencionado ou
colocado em lugar de destaque.
Para o clube, trata-se de um herói. Para os jogadores, um paizão. Basta um passeio
pelos campos de várzea para constatar como ele é conhecido e prestigiado. Mesmo
quem não é botafoguense lhe tira o chapéu. Simples,
calmo, muito tímido e simpático. Sorriso acanhado no canto
da boca. Assim é Airton de Oliveira, 58 anos, mais de 30 deles, dedicando-se
ao cargo de técnico do Botafogo de Guaianazes.
"Não fui eu quem fundou o clube, mas eu é que não o deixei morrer", desabafa Oliveira,
que durante muitos anos comandou sozinho a equipe. "Carregava nas costas os sacos
de camisas e os materiais esportivos do time, pois não tinha ninguém para me ajudar",
relembra o comandante alvinegro, e complementa: "Hoje está ótimo. O time tem uma
base boa, eu conto agora com a ajuda de um auxiliar técnico- o Mauricinho- e até
posso tirar férias de vez em quando".
Airton conta que no começo , logo que ele entrou no Botafogo, as coisas eram muito
difíceis, "não tínhamos dinheiro para nada, nem campo para treinar", e explica:
"Faltava verba para manter os jogadores, desde os fardamentos, até a condução
para os jogos". Nessa
época, corria na várzea, o boato de que o Botafogo iria acabar. "Mas eu não deixei.
Coloquei o amor pelo time acima de tudo e lutei com garra. Fiz por pirraça também,
não deixaria que zombassem da gente".
Para reerguer o time, foi necessários muito esforço e dedicação. "Arrumei um torcedor
que levava a gente pra jogar numa perua. Além disso, dois dos meus jogadores,
o Shimi e o Alvino, arcavam com algumas despesas do clube". Airton
de Oliveira tem uma história comovente dentro do futebol. Começou a jogar bola
ainda garoto, sempre amou o esporte. Mais ou menos em 1959, portanto aos 17 anos,
o rapaz já despontava. Nessa época, jogava no juvenil de outro alvinegro, o Corinthians.
Porém,
um problema no coração o afastou dos gramados. Ruíram os sonhos e as esperanças
de um futuro promissor, não poderia mais acreditar em estrelato e reconhecimento.
"Já que eu não podia mais jogar bola, fui ser técnico. Era tão novo, que muitos
jogadores tinham a mesma idade que eu", recorda Airton e diz "treinei o Alfa Modas
e o Comercial antes de vir para o Botafogo". Sua
chegada ao clube deu-se por volta de 1966. Foi amor à primeira vista. Airton se
apaixonou pela equipe, e por ela foi capaz de sofrer o maior drama de sua vida.
"Em 1970, meu irmão,Antônio Oliveira -Tunico -, era jogador do Botafogo. Numa
partida que disputávamos, ele teve uma parada cardíaca e morreu em campo", confidencia
o treinador, que não se deixou abater "A partir desse dia, meu amor pelo Botafogo
só aumentou. Lutei com todas as minhas forças pelo clube, em nome do meu irmão,
que morreu levando a estrela solitária no peito".
Tunico, de onde estiver, está grato pela homenagem e dedicação do irmão, e com
certeza, deve estar protegendo e ajudando o Botafogo nas suas conquistas, já que
depois dessa tragédia, começaram as glórias do clube.
Airton, que no futebol não teve a sorte de se tornar famoso e reconhecido, no
Botafogo de Guaianazes reina absoluto. A várzea o reverencia! |