|
OTACÍLIO
SILVEIRA:
O CONTADOR DE HISTÓRIAS
|
"Freqüento
o clube desde 1935, mas só fui
me associar em 1938. Adorava ver o Estrela
jogar. Fui secretário e sou conselheiro
benemérito vitalício".
Otacílio
esteve presente nos momentos mais importantes
da vida do Estrela da Saúde:
a disputa na divisão profissional
de futebol, as dramáticas mudanças
de sede, as glórias, as festas,
a compra do clube da Guarapiranga. Fatos
estes, que ele fez questão de
registrar, escrevendo de próprio
punho um caderno inteiro,
um verdadeiro livro contando a vida
do seu time do coração.
|
|
|
Otacílio
Silveira.
|
Esse
senhor, que deve ter hoje uns 70 anos, durante
toda a nossa entrevista, frisava a cada momento
nomes de diretores, sócios e presidentes
que ele julgava essenciais na biografia do
clube. "Fulano foi um abnegado. Beltrano
era um sustentáculo. Não esqueça
de citar o Sicrano que sempre se dedicou muito,
um baluarte", alertava-me.
Tímido,
não queria falar sobre si, contentava-se
em lembrar do que os outros fizeram, sem se
dar conta da sua importância para a
equipe. Foi Otacílio, junto com outros
dois abnegados (palavra que ele adora repetir)
que assinou as promissórias para a
compra da sede atual. "Ele assumiu a
dívida sem ter condição
financeira. Fez em nome do seu amor pelo Estrela",
diz, chorando comovido, Geraldo Delapino,
o atual presidente.
Em
nome desse amor, o conselheiro rejeitou trabalhar
na Federação Paulista de Futebol.
"Em 1944, Agapito Trindade, que era diretor
do Estrela e da FPF, me convidou a fazer parte
dos coordenadores. Fiquei à sua disposição
uns dois meses, depois não agüentei
mais. Não queria ser representante
de jogos entre Mogi e Barretos. Queria ver
o Estrela jogar".
"Não
me arrependo de nada que fiz. Faria tudo novamente".
GERALDO DELAPINO:
UM CHORÃO NO ESTRELA
|
|
"Eu
tenho uma paixão muito grande
pelo clube. Além do meu pai ter
sido um dos fundadores, praticamente
nasci dentro do salão do Estrela,
onde meus pais se conheceram, depois
vieram a namorar e casar", fala,
sem conter as lágrimas, o atual
presidente, que já cumpriu vários
mandatos e neste último está
há seis anos.
"Hoje,
a várzea está muito mudada.
Há muito jogo de interesses,
muitas dificuldades", lamenta.
"Alguns ainda conservam o amor,
o desprendimento, não ficam só
pensando
|
|
Geraldo
Delapino.
|
em
dinheiro e vantagens. Sei que sou um desses.
Como presidente, penso muito no social, no clube,
nas pessoas da comunidade. O Estrela da Saúde
tira atualmente mais de 200 crianças
da rua".
Taxista
aposentado, Geraldo trabalhou na praça
durante 48 anos. "Eu tinha flexibilidade
de horários. Chegava a rodar 70km todos
os dias, só para ir pro clube, e ia
trabalhar à noite e de madrugada".
"Enquanto
eu viver, não vou esquecer de Geraldo
Delapino e Marta Calil, que infelizmente faleceu
há três anos. Os dois carregaram
o Estrela nas costas e o Geraldo continua
carregando", desabafa Otacílio.
RICARDO ROMERA:
UM JORNALISTA QUE ORIENTAVA
Em
1938, Ricardo Romera trabalhava no jornal
"O Dia" do Rio de Janeiro. Transferido
para o mesmo jornal, em São Paulo,
Romera foi morar num apartamento na Avenida
Domingos de Morais, próximo ao campo
do clube de futebol E.C Domingos de Morais,
principal adversário do Estrela da
Saúde.
Louco
por futebol, o jornalista resolveu assistir
a um jogo entre as duas equipes. Botafoguense
roxo, apaixonou-se à primeira vista
pelo azul e branco, pois associou a estrela
solitária do Botafogo à do Estrela
da Saúde.
Tornou-se
sócio e logo, membro da diretoria,
onde permaneceu por mais de 40 anos. Como
presidente, foram mais de 10, e mesmo com
seu pedido de afastamento, continuou como
conselheiro vitalício, sempre orientando
e ajudando os novos membros da diretoria.
Na
sua carta-licença, Ricardo Romera alegou
cansaço, disse que outros poderiam
dar continuidade ao seu trabalho, pois de
tanto gostar do time acreditava estar errando
ao invés de ajudar.
A
verdade é que o Estrela da Saúde
sempre lhe foi grato, tanto que Romera foi
agraciado com o título Nº 1 do
seu clube de campo.
VICENTE
MARIANO:
FUNDADOR E CONSELHEIRO
Vicente Mariano, foi um dos poucos presidentes
que permaneceu no comando por mais de dez
anos. Como conselheiro, foram 45 anos. Uma
vida inteira dedicada ao Estrela.
"Mesmo
quando se afastou do clube, Vicente colaborava
e sempre esteve à disposição
para o que precisássemos. Orientava
os diretores e sempre era consultado por eles",
ressalta Otacílio.
JOSÉ
LOGUERCIO:
UM GRANDE BENFEITOR DO ESTRELA
Nascido na Itália com o nome de Giuseppe
Loguercio, veio para o Brasil, aos nove anos
de idade, e aqui ganhou uma versão
abrasileirada do seu nome: José.
"Aos
19 anos, quando ele se mudou para o bairro
do Jabaquara, fizemos amizade e passamos a
freqüentar juntos os "footings"
de sábados e domingos. Por lá
também passeavam os solteiros do Estrela.
Assim, fomos convidados a freqüentar
o clube e mais tarde passamos a fazer parte
da diretoria", relembra Otacílio.
"O
José também foi convidado pelo
Agapito Trindade a fazer parte da FPF, e como
eu desistiu depois de alguns meses por causa
do Estrela".
"Não
podemos esquecer que era ele o presidente
quando compramos o terreno da Guarapiranga
e foi responsável pra que a transação
desse certo, pois também assinou as
promissórias pelo bem do clube",
finaliza o amigo Otacílio.
ANTÔNIO
DA SILVA CUNHA:
60 ANOS DE DEDICAÇÃO
Antoninho,
pai do ex-presidente Adalberto da Silva Cunha,
jogou no time do Estrela da Saúde por
mais ou menos 30 anos, sempre preferindo jogar
no 2º quadro do clube do que no 1º
de outro time. "Como jogador era um motorzinho,
um talismã", diz nosso "contador
de histórias".
|
|
| |
Jogo
em homenagem a Antônio da Silva
Cunha,
conselheiro benemérito do Estrela
da Saúde.
|
Após
a compra do atual patrimônio, jogou
mais de 25 anos na equipe de veteranos e ainda
ia todos os domingos ao clube de campo, sempre
levando novos visitantes que viriam a tornar-se
novos sócios.
JOÃO
ATALLA:
PULSO FIRME
|
João
Atalla assumiu a presidência num
momento em que o clube passava por uma
fase muito difícil, com o pagamento
das promissórias atrasadas e
o advogado do proprietário pedindo
a reintegração de posse.
Paralelamente ao Estrela, era influente
diretor da Federação Paulista
de Futebol.
Foi
então que, sabiamente, resolveu
fazer uma rifa de um televisor em cores,
novidade para a época. Conseguiu
com um amigo o empréstimo do
aparelho que seria pago somente depois
do sorteio. Por sorte, a dezena premiada
estava no carnê do Sr. Otacílio,
que abriu mão da
|
|
|
João
Atalla.
|
televisão
em favor do clube e Atalla conseguiu quitar
a dívida.
Tido
como pulso firme, o presidente sempre se dedicou
ao futebol. Dirigiu a escolinha das categorias
de base e foi técnico da equipe principal.
"Certa vez, ele dispensou todos os jogadores
que estavam nos dando problemas. Mandou todo
mundo embora e formou um time de garotos,
que deu muitas alegrias ao Estrela",
lembra nosso historiador. Junto com Mário
Castagnini e Avelino Psignaco, Atalla foi
campeão infantil e juvenil pela FPF
inúmeras vezes.
"O
Atalla exigia muita disciplina. Proibia álcool
e cigarro".
ROBERTO
CORRENTINO:
DE JOGADOR A TÉCNICO
|
Roberto
Correntino, o conhecido Jamela, atuou
no time que disputava a 2ª divisão
de profissionais, no final da década
de 50.
Começou no Estrela da Saúde,
jogando no infantil, passou pelo juvenil,
aspirantes e chegou ao principal. Em
campo, foram mais de 20 anos.
"Assim
que parei de jogar, fui ser assistente
técnico do Sr. João Atalla.
Quando este faleceu, assumi o seu lugar
como técnico do Estrela, onde
permaneço até hoje",
conta Roberto, um apaixonado e dedicado
servidor do Estrela. Hoje, um tem a
cara do outro.
|
|
|
Roberto
"Jamela".
|
|