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União
dos Operários,
a Várzea Nostra.
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Os
sobrenomes de seus fundadores se confundem com a própria história da cidade
no inicio do século. Tem Carosi, Lassabia, Dotti e Auriquio. Os nomes
também eram pouco comuns. Tinha Domenico, Pasqual, Nicolino.
São
Paulo era, ainda, uma cidade com muito verde, sem violência, onde nos
bairros e vilas todos se conheciam e viviam em família.
| Relíquia
do União dos Operários FC: O time posado na foto mais antiga do clube.
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O
Rio Tiete, então orgulho e cartão postal da cidade, abrigava em suas margens
campos floridos, onde as famílias se reuniam em pic-nic. Em seu leito
eram feitas as primeiras regatas de São Paulo e o remo era um esporte
popular. Tão popular quanto a bocha, a malha e a bisca, jogo de cartas
que os colonizadores italianos trouxeram para o Brasil.
E
os clubes sociais foram nascendo às margens do rio límpido. O Espéria,
então Clube da Floresta, o Clube de Regatas Tiete, o Corínthians Paulista,
enfim, o rio se prestava como ancoradouro de sonhos e clubes.
E
foi também às margens do Tiete que nasceu o União dos Operários Futebol
Clube, cuja origem foi uma das fábricas da família Matarazzo.
| Na
década de 20, o União dos Operários FC já mostrava a sua força. |
De
preciso mesmo existe os nomes dos idealizadores do clube e a data de fundação,
um 1º de maio do longiguo 1917, portanto há 83 anos.
"É difícil fornecer dados mais exatos, na época ninguém devia estar preocupado
com essas coisas de memória", diz hoje Carlos Antonio Vinha, o Carlinhos,
atual presidente do clube.
| Com
orgulho, o ex- presidente Nicolino Braga (em pé, à esquerda), posa
ao lado do time na década de 40. |
Mas
basta olhar pelas paredes da sede social do clube, ainda nas margens do
Rio Tietê, no mesmo bairro do Belenzinho, para não ter nenhuma dúvida
sobre a origem e a longevidade do clube: as fotos em craion ou sépia,
emolduradas rusticamente, exibindo senhores com ares de aristocratas,
testemunham silenciosamente um passado quase centenário.
Para
constatar essa história, siga a trilha que "Memórias da Várzea" deixa
à sua disposição nas páginas do Simmm, um Site disposto a ajudar a reconstruir
o passado do futebol amador da cidade.
E
o União dos Operários é um belo exemplo dessa história, uma verdadeira
"Várzea Nostra", ilustrada com fotos que parecem contar, sozinhas, o que
se passou do inicio deste século até agora.
| O
gorrinho na cabeça fazia parte da indumentária de jogo. Este é um
dos primeiros times do União. |
Afinal,
de um campo de futebol nas margens do Rio e das vielas e caminhos pelo
mato que levavam até o "União", hoje existe um clube recreativo, com ginásio
de esportes, quadras poli-esportivas, sede-social, salão de festas, quiosque,
capela e o um campo que é o orgulho de seus freqüentadores:
"Foram
mais de 220 caminhões de terra e areia, um ano e dois meses de obras,
mas hoje temos um dos melhores campos da cidade. Com irrigação eletrônica,
um gramado de fazer inveja", diz Dorival Fernandes, ex-presidente e que
tocou, ao lado de dezenas de amigos, companheiros de diretoria, uma obra
da qual todos se orgulham.
Do
inicio do século até hoje a cidade mudou muito, o rio perdeu seu charme,
a violência é temida por todos, mas o União parece não ter mudado tanto
assim.
| União
dos Operários FC: A elegância dos seus jogadores é um detalhe conservado
até hoje. |
Afinal,
um fim de tarde por suas alamedas e um dedo de prosa com seus freqüentadores,
nós irá mostrar como é possível viver em família, entre amigos, como se
fazia antigamente. Numa verdadeira Várzea Nostra, com sotaque e tudo.
Siga
a trilha desse "Memórias da Várzea" e saiba um pouco mais do União dos
Operários no texto de Camila Bortolotti e fotos de Rodrigo Fernando.
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