O futebol do pobre e do rico

O menino nasce e o pai, apressado, pendura na porta do quarto da maternidade uma camisa do clube do coração (do pai, é lógico).Se não for a camisa, lá está uma mini-chuteira. O menino faz um ano, dá os primeiros passos, ganha a primeira bola de couro, colorida, e arrisca os primeiros chutes. Óbvio, estamos falando do menino que nasce em maternidade e o pai tem dinheiro para comprar presentes.

Agora, outra historinha: o menino pobre nasce em hospital municipal ou Santa Casa, não tem camisa de time, nem chuteira na porta. Faz um ano e, sabe o que acontece? Dá os primeiros passos e chuta a primeira bola: de borracha, de plástico, de meia. Assim crescem os meninos brasileiros, o rico e o pobre: batendo bola.

Desses meninos, nem todos chegarão a ser craque. Daqueles que enchem estádios, emocionam e arrebatam torcidas. Mas, quase todos, vestirão a camisa do clube de seu bairro, de sua escola, de sua turma. O tempo vai passar e, já veteranos, mas ainda com a cabeça do menino, lá estarão correndo atrás da bola nos campos de várzea das cidades, atrás de cemitérios, nas laterais das avenidas marginais. Basta ter um terreno plano, gramado ou não, para que se tenha futebolzinho no final de semana.

Nesta várzea (no bom sentido) estão os heróis dos bairros, das vilas, da rua onde a gente mora. O jovem que faz um gol de placa no domingo pela manhã, ganha logo a admiração dos vizinhos e namora a menina mais bonita do pedaço. Vem a evolução: passa a jogar em time com uniformes completos, em torneio bem organizados como a Copa Kaiser. Vêem seu nome e, com sorte, até sua foto no jornal. Se sente Maradona, Zico. Mas, parou aí. Errado. Parava aí. Agora sua foto, seu nome no topo da lista de artilheiros, seu time liderando a classificação graças ao seu gol chorado aos 40 minutos do segundo tempo, têm um lugar garantido. Basta acessar o site SIMMM. Pronto, lá está ele na rede mundial de computadores.

O SIMMM é o primeiro site exclusivo do futebol amador. Sua chegada, além do fato e aproximar pessoas que disputam o mesmo torneio e têm os mesmos sonhos, vai mostrar o futebol que se joga em São Paulo longe das luzes das tevês. Vai mostrar, acima de tudo, gente. E gente boa dos nossos bairros, que se respeita e faz do jogo de bola no fim de semana um meio para encontrar amigos, se divertir e manter fé na vida, porque na segunda-feira é dia de trampo.

Paulo Cezar Correia
Jornalista, Chefe de Reportagem
da Seção de Esportes de O Estado de S.Paulo